sexta-feira, 19 de agosto de 2011



pela janela sentado em sua pequena escrivaninha.
Um pouco mais longe no canal, uma ponte de pedra
sobre a qual passam pessoas e uma charrete com cavalos
brancos.
E movimento por toda parte; um homem com um carrinho de mão, um outro apoiado ao parapeito, olhando para
a água, mulheres de preto com toucas brancas.
No primeiro plano, um cais com lajotas e um parapeito preto.
Ao longe, uma torre se ergue sobre as casas.
Acima disso tudo, o céu, num branco cinza.
É um pequeno quadro, vertical (24).
PARIS
(MAIO DE 1875 – MARÇO DE 1876)
Paris, 31 de março de 1875
Ontem eu vi a exposição Corot. Havia em especial um
quadro, o  Jardim das Oliveiras,  fico contente que ele o
tenha pintado.
À direita, um grupo de oliveiras perde-se no azul do
céu ao crepúsculo; em segundo plano, colinas com arbustos
e duas grandes árvores. No alto, a estrela da tarde.
No Salão, há três Corot muito bonitos; o mais belo,
pintado pouco antes de sua morte,  Os Lenhadores,  sem
dúvida será publicado na Illustration ou no Monde Illustré.
Como você pode imaginar, também fui ao Louvre e
ao Luxemburgo.
Os Ruysdael do Louvre são magníficos; especialmente O Bosque, A Paliçada e O Raio de Sol.
Espero que um dia você veja os pequenos Rembrandt,
Os Peregrinos de Emaús  e dos  pendants, Os Filósofos
(27).2 3
Paris, 6 de julho de 1875
Aluguei um pequeno quarto em Montmartre que te
agradaria. É pequeno, mas dá para um jardinzinho forrado
de hera e de vinhas. Vou lhe contar as gravuras que pendurei
na parede: Ruysdael: O Bosque e Lavadouros; Rembrandt:
A Leitura da Bíblia  (um grande quarto estilo velha-Holanda) – à noite – uma vela sobre a mesa onde a jovem
mulher sentada perto do berço de sua criança lê a Bíblia;
uma velha mulher sentada escuta, é algo que faz pensar:
“Em verdade eu vos digo, em todo lugar onde duas ou três
pessoas se reunirem em meu nome, eu estarei entre elas”;
é uma antiga gravura em cobre, tão grande quanto O Bosque,
esplêndida; Philippe de Champaigne: Retrato de Uma Senhora; Corot: A Tarde; Corot: idem; de Bodmer: Fontainebleau; Bonington:  Uma Estrada; Troyon:  A Manhã;
Jules Dupré: A Tarde (a caminhada); Maris: Lavadeira;  o
mesmo: Um Batismo; Millet: As Horas do Dia (Gravuras
em madeira 4 lâminas); v. d. Maaten: Enterro no Trigal;
Daubigny: A Aurora (galo cantando); Charlet: A Hospitalidade (granja cercada de pinheiros no inverno sob a neve;
um camponês e um soldado frente à porta); Ed. Frère: Costureiras; o mesmo:  O Tanoeiro  (30).
Paris, 13 de agosto de 1875
Na lista dos que eu pendurei no meu quarto, esqueci:
N. Maes: A Natividade.
Hamon :  Se Eu Fosse o Inverno Sombrio.
Français:  Últimos Belos Dias.
Ruyperez: A Imitação de Jesus Cristo.
Bosboom:  Cantabimus et Psallemus.
Estou fazendo todo o possível para encontrar para
você uma gravura de Rembrandt: Leitura da Bíblia (33).2 4
Paris, 25 de setembro de 1875
Vou me separar de todos os meus livros de Michelet,
etc., etc. Faça o mesmo.
Paris, 11 de outubro de 1875
Você seguiu meu conselho, separou-se dos livros de
Michelet, Renan, etc.? Acho que isto o deixará mais tranqüilo. A página de Michelet sobre o Retrato de Senhora,
de Philippe de Champaigne, no entanto, é preciso não
esquecê-la, e não se esqueça também de Renan. Contudo,
afaste-o... Você conhece Erckmann-Chatrian: O Recruta,
Waterloo e sobretudo O Amigo Fritz e também A Senhora
Teresa? Leia-os se puder. Mudar de alimento estimula

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